UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM
PEDAGOGIA
Equipe: CINTHIA SOUZA SILVA FRANÇA
ÍTALA MAYNARA TEIXEIRA DA SILVA
IVANNILTON ADELINO DE OLIVEIRA
LAUDICÉA SOUZA CASTRO
KÍSSILA DE MELO SANTOS
Olá gente, boa tarde. Como solicitação de uma atividade da disciplina de Educação Especial ministrada pela professora Maria Dolores Fortes Alves, aqui estamos solucionando o caso de Júlia.
Ø Júlia é uma pessoa com deficiência de 8 anos,
teve Paralisia Cerebral e utiliza cadeira de rodas, pois apresenta limitações
físicas nas pernas, braços e mãos. Está cursando o terceiro ano do ensino
fundamental, tem dificuldades para escrever, pintar, ler, etc. Quais
intervenções seriam necessárias para que Júlia tivesse uma educação inclusiva?
Júlia precisa ter uma educação inclusiva para
isso é necessário um conjunto de intervenções. Para acolher a diversidade e as múltiplas formas de
aprender, a escola deve assegurar a participação e ao mesmo tempo compreender a
subjetividade. Cada um tem uma trajetória de vida, com diferentes condições sociais,
emocionais, físicas e intelectuais. Entre os princípios fundamentais da educação inclusiva,
está o entendimento de que o acesso à educação é um direito incondicional de
todos (Assegurado pela Constituição Federal de 1988 e reafirmado pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nº 9.394/96). A educação inclusiva é à base da
sociedade. Ela nada mais é do que a consequência natural de uma escola de qualidade
para todos, ela tem que criar sentidos,
abrir possibilidades, permitir a participação e estar conectada com a realidade
do educando.
“A visão de que só as pessoas com necessidade
especiais pessoas com deficiência
ganhariam com a inclusão é preconceituosa, entendemos que o grande objetivo a
ser conquistado é a construção de uma sociedade inclusiva, com a contribuição
indispensável das escolas que tem de preparar espaços educativos para todos.” (LIMA
2001, p. 33)
·
A primeira coisa necessária a se pensar é a
estrutura da escola. A escola tem como
prioridade receber o público de forma adequada as suas especificidades, para
não comprometer o deslocamento nos ambientes e não gerar exclusão. Lamentavelmente
a acessibilidade ainda não é prioridade nos ambientes, além disso, a sociedade
desconhece as leis e normas para cobrar seus direitos. A Norma de Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos urbanos (ABNT NBR 9050:2015) determina que escolas brasileiras públicas e privadas devem
ser acessíveis. As portas externas e internas (incluindo as
dos elevadores) também devem respeitar a largura mínima de 80 cm e altura de
2,10 m. Além disso, todas devem ter maçanetas do tipo alavanca e permitir
abertura com um único movimento. A área de circulação dentro das salas
deve permitir rotação de 360º. As lousas (quadros) precisam ser instaladas a
uma distância de 90 cm do chão. Na hora de planejar a disposição dos móveis
(carteiras e cadeiras) para se certificar de que todos os alunos vão conseguir
enxergá-lo. É recomendado que 1% das carteiras das escolas infantis seja
especial para cadeirantes (a altura desses modelos deve ficar a 73 cm do piso).
O mesmo tipo de móvel deve estar presente nas áreas de alimentação (refeitório
e lanchonete), para que o aluno consiga fazer suas refeições confortavelmente. Podemos
citar as barras de transferência para sanitários. É importante
adotar esses equipamentos nos diferentes espaços da escola. Recomenda-se
que pelo menos 5% dos sanitários (divididos em masculinos e femininos)
sejam adaptados com área ampla e portas maiores. Barras de apoio devem ser
instaladas a uma altura de 30 cm a partir do assento sanitário. Já as pias e
bebedouros precisam apresentar botão de acionamento a uma altura de 80 cm do
piso. É importante que todos os ambientes, mobiliários e equipamentos
projetados para pessoas com deficiência sejam identificados com o símbolo
internacional do acesso. O ideal é que ele seja desenhado em branco sobre fundo
azul ou preto.
Fonte: https://www.seucondominio.com.br/noticias/acessibilidade-no-condominio
·
Embora seja de grande
importância que o espaço físico da escola, seja adequado para receber os alunos
com deficiência, a inclusão é mais do que ter banheiros e rampas adaptados. A inclusão
deve está garantida dentro do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola,
visto que é o documento norteador da prática pedagógica. Sendo a inclusão uma prática recente nas escolas, é
importante questionar sobre que ética ilumina as ações da direção da escola. É
no projeto pedagógico que a escola se posiciona em relação ao seu compromisso
com uma educação de qualidade para todos os seus alunos. Sendo assim, deve
assumir o compromisso de propiciar ações que favoreçam a aprendizagem dos
educandos de modo geral e aos alunos com deficiência, fazer adaptações
curriculares optando por práticas inclusivas. As adaptações curriculares
constituem possibilidades de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos
alunos, não sendo necessariamente um novo currículo, mas que seja dinâmico,
alterável, passível de ampliação, para que atenda realmente a todos os educandos.
“No modelo organizacional que se construiu sobre a influência do
princípio de integração, os alunos deveriam adaptar-se às exisgênciass da
escola, e, no da inclusão, a escola é que deve se adaptar às necessidades dos
alunos” (Carvalho, 2004, p. 67)
·
Outra intervenção necessária é no âmbito profissional.
Todos que compõem a comunidade escolar devem preparar os estudantes para
estarem aptos a passarem pelo processo de inclusão dentro do ambiente escolar,
dando a estes a oportunidade de usufruírem de um direito imprescindível a
todos: o ensino de qualidade, para isso é necessário qualificação/
especialização. Ao trabalhar com uma criança com deficiência, o professor tem
que ter uma bagagem de conhecimentos específicos (conhecimentos teóricos) para
promover de forma tranquila, a integração do aluno com o cotidiano escolar. O
profissional deve buscar a qualificação constante, seja com cursos de
especialização na área, ou ainda de extensão e aperfeiçoamento. O processo de
educar uma criança costuma ser bastante desafiador. A dificuldade aumenta
quando os professores não se preparam para atender alunos com diferentes
perfis. Para os pequenos, qualquer obstáculo na hora de aprender ou se
relacionar com os colegas traz dificuldades que podem influenciar suas
vidas em diversos aspectos. Tendo conhecimento das diferenças e das
necessidades de cada criança, o docente consegue planejar atividades que possam
atender a inúmeras especificidades. Inclusive Júlia necessita de
atividades adaptadas.
Fonte:
https://blog.portabilis.com.br/como-lidar-com-alunos-com-deficiencia/
·
.Visto que Júlia possui uma deficiência que
impossibilita a sua locomoção ela precisa de um acompanhante no ambiente escolar.
Esse apoio deve ter formação e qualificação, o auxiliar é um suporte. A ideia é
que ele acompanhe Júlia de maneira mais individualizada no ambiente escolar
para facilitar sua mobilidade e auxiliar nas necessidades pessoais e na
realização de tarefas.
·
Lev Vygotsky psicólogo Bielo – Russo traz em
suas teorias grandes contribuições para educação e intervenção pedagógica. A
ideia que fundamenta o conceito de plano genético de Vygotski é de que o mundo psíquico
não está pronto mas também não é recebido como algo pronto do ambiente, desse
modo é um autor interacionista. Uma de suas principais e mais conhecidas
teorias é a Sócio – histórica. Que privilegia a importância das interações
sociais para o desenvolvimento do indivíduo. A intervenção pedagógica é onde o
professor atua no desenvolvimento da criança. Para Vygotsky a intervenção
pedagógica é um aspecto central em suas teorias, é essencial na promoção de
desenvolvimento de cada indivíduo. O sujeito depende dessa intervenção para se
desenvolver adequadamente. É utilizado nessa intervenção o conhecimento a
respeito da Zona de desenvolvimento proximal descrita por ele como: Nível de
desenvolvimento potencial (faz com ajuda) Nível de desenvolvimento real (faz
sem ajuda). A zona que se encontra entre esses dois níveis é justamente a zona
de desenvolvimento proximal, onde o professor deve intervir. O desenvolvimento se
dá de fora para dentro. Com base nesses conhecimentos, o professor aplica a
intervenção. Vygotsky diz:
“A criança cega ou surda pode alcançar o
mesmo desenvolvimento que a normal, mas as crianças com deficiência o alcançam
de maneira diferente, por um caminho diferente, com outros meios. Para o pedagogo,
é importante conhecer a peculiaridade do caminho pelo qual deve conduzir a
criança” (Vygotski, 1997, p. 17)
Fonte: https://educacaoinfantil.aix.com.br/pdi-plano-de-desenvolvimento-individual-do-aluno/
Para Júlia a identificação deste caminho, ou seja, da zona de desenvolvimento
proximal pelos profissionais de ensino que trabalham com ela diariamente é de
extrema importância, pois é assim que se identificam os pontos em que a
aprendizagem necessita de apoio.
Após essa identificação, um dos
procedimentos a ser aplicado é o acesso de Júlia ao AEE ( Atendimento
Educacional Especializado). As Diretrizes nacionais para a educação especial
(Resolução CNE/CEB nº 4/2009) garante no art. 1 º além da matrícula na rede
regular, de ensino a matrícula no AEE no
contra turno, que deve ser ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em
Centros de Atendimento Educacional Especializado, por um profissional especializado
na área. Isso irá eliminar barreiras e conquistará plena inclusão da Júlia no
ambiente escolar.
Fonte:
http://cefpe.blogspot.com/2018/10/gte-atendimento-educacional.html
Segundo
o texto “Mediações alternativas e compensação educativa das deficiências” de
Karina Vasconcellos é necessária uma articulação entre o processor do ensino
regular e o profissional do AEE para juntos contribuírem de maneira
significativa no desenvolvimento da aluno, algumas funções do profissional do AEE
são: Elaboração do plano de Atendimento Educacional Especializado do estudante;
Definição do cronograma e das atividades do atendimento do estudante;
Organização de estratégias pedagógicas e identificação e produção de recursos
acessíveis. O plano educacional especializado é um recurso que rege as
propostas pedagógicas de cada aluno, partindo das propostas elaboradas para a
turma. A partir das propostas curriculares o professor e o profissional do AEE
elaboram o plano com trabalho colaborativo de intervenção.
·
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS) existe no mundo aproximadamente mais de 600
milhões de pessoas com deficiência, ou seja, Júlia “faz parte” dos 10% da
população global que tem algum tipo de deficiência. Sabemos que as pessoas com deficiência,
infelizmente são majoritariamente excluídas dos espaços públicos, do mercado de
trabalho, das escolas; tendo cruelmente negados os seus direitos. Por longos
anos acreditou-se que a pessoa com deficiência deveria se adequar a realidade
dos espaços para vive na sociedade. Mas esse paradigma vem sendo rompido,
especialmente no Brasil.
Neste
contexto surge a Tecnologia Assistiva, uma área do conhecimento com
características interdisciplinar que engloba produtos, estratégias, recursos,
etc. – com o objetivo de por meio destes promover a funcionalidade, a
participação ativa das pessoas com deficiência ou ainda como mobilidade
reduzida, em outras palavras, a TA possibilita a autonomia, independência, a
qualidade de vida e a inclusão do sujeito, permitindo que esse saia do papel de
expectador para ator em seu dia a dia. A Paralisia cerebral trouxe para Júlia
algumas limitações físicas nas pernas, braços e mãos; a menina utiliza a
cadeira de rodas para se locomover. Sendo uma criança, frequenta a escola,
cursa o terceiro ano do ensino fundamental e apresenta dificuldades para
escrever, pintar, ler, etc.. Na perspectiva da Tecnologia Assistiva, deve-se:
Adaptar
os materiais usados na sala de aula, para que Júlia consiga ter maior firmeza
nas mãos, assim poderá manuseá-los com maior precisão.
O recurso criado auxilia a escrita,
trata-se de uma bola de espuma furada com lápis encaixado no orifício. Júlia
poderá pegar o lápis com maior firmeza, considerando que a bola de espuma
moldará facilmente em sua mão facilitando a escrita da garota. O que se
aplicará em diferentes objetos, como os mostrados abaixo:
Jardim Sensorial: Por meio de atividades dirigidas pelo professor,
promover a possibilidade dos alunos, especialmente Júlia tenha contato
sensorial com a natureza através do olfato, do paladar, do tato, da visão e da
audição, estimulando assim todos os sentidos.
Através das sensações, do concreto, Júlia poderá assimilar melhor os
conteúdos, as teorias a partir da prática – do sentir.
No lazer e recreação: deve-se fazer adaptações que auxiliem Júlia a
brincar, com a participação de todos os alunos, para promover a inclusão
efetiva da menina.
As relações sócias são realizadas com a inclusão
e respeito as peculiaridades de Julia, fortalecerão o desenvolvimento da menina
na escola. A Tecnologia Assistiva busca por meio de adaptações simples, desde
um lápis a um jogo pedagógico adaptado possibilitar a interação, autonomia da
pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. Por meio de recursos simples,
pode-se permitir ao outro sentir-se parte de um lugar, de uma sala de aula, da
sociedade.
Até os recursos mais
complexos como as tecnologias podem ser utilizadas para melhorar garantir a
aprendizagem de Júlia. A tecnologia também
vem sendo uma ferramenta muito utilizada para alcançar e educar alunos com
deficiência. Existem diversos casos em que o uso de vídeos, áudios,
ajuda professores dentro de salas de aula. Dessa forma, os recursos
tecnológicos são ferramentas que diminuem a distância entre o professor e o
aluno. A exemplo do Editor
livre de prancha. O software tem
como principal utilidade a comunicação por meio de imagens e símbolos — fugindo
do usual, que seria a partir da fala. Ele pode ser utilizado por tablets,
smartphones ou pela própria impressão, o que facilita e atinge as diversas
realidades. Com isso, os alunos que têm dificuldades em seguir a fala do
professor ou aprendem com mais facilidade por meio do estímulo da visão vão
acompanhar melhor as aulas muitas vezes. O Mouse ocular. Também chamado de Headmouse, o mouse ocular é
uma ferramenta indicada para pessoas com limitações motoras. Portanto, não se
trata de um aplicativo a ser usado pelo professor, mas sim recomendado ao
aluno. A ferramenta corresponde exatamente ao que o nome diz: um mouse
que, em vez de ser controlado pela mão (como os demais), obedece aos movimentos
faciais — aqueles realizados pelos olhos e pela boca do usuário, mais
especificamente. Assim, eles se tornam capazes de realizar novas tarefas e
ganham mais autonomia. Vídeo
aulas. Um recurso muito utilizado, porém ignorado por alguns professores. O
interessante desse material é a possibilidade de variar a aula usual apenas
falada e escrita, dando ao aluno o recurso visual a ser trabalhado.
“A escola
que nega a diversidade nega também a legitimidade do humano, desvia-os assim do
entendimento mútuo porque a incomunicabilidade que a rejeição e a diferença
produz impede a colaboração espontânea e a criatividade a ela intrínseca. Essa
negação do outro gera ódio e é uma negação contrária a natureza humana de
solidariedade e cooperação humana. Ao contrário, a escola que legitima a
diversidade, explora e nutre a solidariedade, a criatividade e o sentimento de
compartir natural do humano. [...] Quanto mais diversas forem as modalidades de
ensinagem, as estratégias e os cenários, mais serão as diversas possibilidades
de aprendizagem [...] Bem, a percepção afinada do professor e sua criatividade
irão proporcionar o melhor olhar para
cada situação e quais e qual a estratégia será adequada para cada grupo, aluno
ou classe. Creio que o importante é o que dialogo seja uma ferramenta de
diagnostico e decisão interdependentes dos caminhos e estratégias lançadas.”
(ALVES, 2016 p. 15254 e 15255)
REFERÊNCIAS
Disponível em: https://www.google.com.br/search?client=opera&hl=pt-BR&authuser=0&ei=E-KyXIBHf655OUPp5Cq4AE&q=lei+de+acessibilidade+nas+escolas&oq=lei+de+acessibilidade+nas+e&gs_l=psy-ab.1.0.0l2j0i22i30l8.2874.4017..6491...0.0..0.168.956.0j6......0....1..gws-wiz.......0i71j0i67.yUj9Jtbprbw
Acesso: 12/04/2019
LIMA, Priscila Augusta. Definindo educação inclusiva e educação especial In: Lima, P. A.
Educação inclusiva e igualdade social: o desafio da qualificação. São Paulo:
EDUSC, 2001.
Disponível em: https://arquitetoleandroamaral.com/abnt-nbr-9050-2015-norma-acessibilidade-gratuita/
Acesso: 12/04/2016
NUERNBERG, Adriano Henrique.
Contribuições de Vigotski para a
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v. 13, n. 2, p. 307-316, abr./jun. 2008.
SIQUEIRA, A.F, REDIF, A.G.;
ESTEF, G. Plano educacional
individualizado: uma estratégia no processo de inclusão escolar de uma aluna
com deficiência intelectual. In: IV Colóquio Internacional Educação.
Cidadania e Exclusão, SD.
VIGOTSKY, L. S. Obras Escogidas, Tomo V, Fundamentos da
defectologia. Madrid: Visor, 1997.
INSTITUTO DE TECNOLOGIA SOCIAL (ITS BRASIL) MICROSOFT EDUCAÇÃO.
Tecnologia Assistiva nas escolas. Recursos básicos de acessibilidade
sócio-digital para pessoas com deficiência, São Paulo, 2008.
Disponível em: https://blog.portabilis.com.br/como-lidar-com-alunos-com-deficiencia/
Acesso 12/04/2019
CARVALHO, Rosita Edler. Educação inclusiva com os pingos nos is. Porto
Alegre: Mediação, 2004.
ALVES. M. D. F. MURADAS, M.
M. Caminhos da Inclusão e a Inclusão
Como Caminho. Fortalecendo a Teia da vida. In: ANAIS EDUCERE – XII
Congresso Nacional de Educação. Curitiba: PUCPR, 2016 (P 15249-1566),
Avaliação.













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